Pormenores insólitos deste país: Já ouviram falar de Carlos Cândido dos Reis?

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"Oficial da Marinha,reformou-se em 1909, como vice-almirante. Republicano convicto,carbonário e maçon, esteve na primeira linha da preparação do 5 de Outubro de 1910. Esteve na revolta falhada de 28 de Janeiro de 1908 contra a monarquia e, no dia 4 de Outubro de 1910, informado de que a Revolução iria falhar e já não veria um Portugal republicano, suicidou-se."


Fucking .

Mariella

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Esta música foi um amigo :) que me mostrou, e eu achei piada, gostei muito sim senhora, de certa forma, identifiquei-me. Tirando a parte da mãe, claro... :P

Sondagem: Devia vestir mais cores?

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Cronos e a Morte

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Como lidar com a morte? Com o tempo em última análise? Sou animal irracional. Não consigo perceber tal coisa. Não consigo perceber aquilo que existe e depois desaparece. Sinto-me revoltada comigo mesma por não perceber. Para não ajudar, vi o penultimo filme do Coppola pai, o Youth without youth, salvo erro. É muito bonito, é uma reflexão também sobre o tempo... Acho. Cronos, o pai que devora os próprios filhos. Começa a haver demasiada morte à minha volta. Um dia, ainda desapareço. Simplesmente meto-me num autocarro para parte incerta e nunca mais ninguém me vê. Louca por cumprir esse desejo e simplesmente fugir às coisas que desaparecem, fugir às despedidas, fugindo delas, e transformando as coisas que morrem nas memórias intemporais que tenho delas, em pequenos tesouros. Eu não sou capaz de viver isto. Não tenho ninguém com quem falar sobre isto. Não consigo não entrar no buraco sozinha. Não consigo sair dele sozinha. Vou morrer e enlouquecer no caminho. Ninguém compreende a incompreensão que tem da morte enquanto não olhar para ela e perceber que não a compreende. Se calhar, não fui feita para viver porque não fui feita para morrer.

Pensamento do dia

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A vida deve ser celebrada.

Contos antigos: A CHAVE PERFEITA

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No início dos tempos, o Criador criou o mundo, e nesse mundo, criou um feiticeiro. Ao feiticeiro deu-lhe o dom da magia, mas ao mesmo tempo, para o controlar, lançou-lhe uma maldição, que só se poderia quebrar se o feiticeiro encontrasse a chave para o seu coração na alma duma princesa.
E assim, o feiticeiro vivia num castelo frio, escuro e solitário, no meio de um vasto campo verde, perdido no reino dos sonhos.
E na parte mais escura, sombria e escondida do castelo havia uma sala, com uma porta de ferro, com uma enorme fechadura. A chave para essa porta, o feiticeiro levava-a com melancolia ao peito, dia e noite. Dentro dessa sala, e para lá da porta de ferro, estava um baú, com uma fechadura. Dentro desse baú, selado com a maldição do feiticeiro, estava o seu próprio coração, que, se fosse devolvido ao feiticeiro, o tornaria livre.
Durante o dia o feiticeiro observava o mundo e as pessoas através da sua bola de Cristal,via as pessoas vivendo a sua vida normal, fazendo escolhas, opções livres. E ele desejava mais que tudo poder faze-lo ele proprio, ser livre, ter vontade propria. Libertar-se do Criador.
Mas durante a noite transformava-se, os olhos ficavam como baços e ele saía do seu castelo tenebroso e longiquo, e fazia o que o Criador lhe mandava. Matava, se fosse preciso, roubava, fazia o que o Criador lhe ordenava. Partia numa encruzilhada, na sua missão.
E no dia seguinte acordava, na sua cama ou em realidades que lhe eram estranhas, e voltava ao palacio, onde observava as pessoas, sózinho e triste por não se conseguir libertar.
E chorava, o feiticeiro. Desejava profundamente ter liberdade como as outras pessoas, encontrar a princesa.
E numa certa era, ele começou a procurar, no meio das comuns mortais, raparigas, que possuissem uma beleza de alma acima dos outros mortais.
E uma era, cruzou-se com uma rapariga com uma chave ao pescoço. Logo se apercebeu da forma de quebrar a maldição, e continou, todos os dias, a tentar quebra-la. Essa rapariga era bela, tinha muitos traços de beleza, e ele, excitado na possiblidade de quebrar a maldição e ser por fim livre, arrancou-lhe a chave que ela tinha pendente, num fio, ao pescoço.
Apressadamente, correu para a sala sombria, tirou a sua chave do pescoço, abriu a porta de ferro e sentou-se em frente ao baú, preparando-se para o abrir.
Ao colocar a chave no trinco, apercebe-se de que a chave não cabia. Era demasiado pequena.
Furioso, confuso e decepcionado, pegou na rapariga e matou-a, de fúria.
Passadas algumas eras voltou a encontrar uma rapariga que carregava ao pescoço uma chave. Convenceu-a a ir para o seu palácio, e pediu-lhe a chave delicadamente. De novo repetiu o mesmo gesto, mas a chave não cabia. Era demasiado longa.
Desiludido, enviou a rapariga para a sua realidade sem uma palavra.
Passado algum tempo depois, partiu em busca da princesa. De novo encontrou uma jovem extremamente bela, com uma chave que aparentava o tamanho ideal, perfeita. Contente, levou-a para o seu castelo, e decidido a gozar da companhia da jovem desta vez.
A jovem começou a viver com ele, e ele acabou por se apaixonar. Com medo de que a chave não caber no trinco e de ter de enviar a jovem para a realidade dela, atrasou o tempo que pode ir exprimentar a chave no cofre.
Mas a jovem não pertencia á SUA realidade, e todos os dias lhe pedia para partir. Desgostoso, o feiticeiro foi-se rendendo á vontade da jovem até que um dia se decidiu e abriu a porta de ferro, debruçou-se sobre o baú e exprimentou abri-lo.
Ao ver que a chave encaixava no trinco, ficou entusiasmado. Mas o entusiasmo rapidamente se desvaneceu, pois ao tentar rodar a chave esta nao se moveu. Era demasiado curta.
Desolado, louco, triste, o feiticeiro fechou-se no seu próprio mundo. A jovem voltou para a sua realidade, como queria.
Frio e insensivel, o feiticeiro fez uma pausa na sua busca pela chave perfeita.
Decidiu misturar-se com os mortais, esconder a sua magia durante o dia, e ausentou-se do seu castelo, partindo para o mundo dos humanos.
Conseguiu encontrar novas raparigas, encontrou uma, mas ela era gananciosa e apenas queria a magia do feiticeiro. Aliciou-a, prometeu-lhe a magia e trouxe-a para o castelo.
Mas ao exprimenta-la, de novo a chave não serviu - era demasiado grande.
Enviou a rapariga de volta á sua realidade, dando-lhe antes um talismã e uma quantia em dinheiro, mas sentiu-se enojado.
Um dia surgiu-lhe uma rapariga, perdida. Logo ela adormeceu de cansaço e assim que o fez, ele ambiciando a chave que a rapariga carregava ao peito, matou-a durante o sono. Mas mais uma vez, oh triste fado, a chave não coube - era demasiado leve.
Convencido de que nunca acharia a chave, desistiu, e fechou-se no seu castelo, triste.
De chave apenas tinha a sua, que carregava ao pescoço. Um dia surgiu uma rapariga á porta do seu castelo, perdida e assustada. Era algo bonita, mas não o fascinava, e como ela não sabia para onde ir, fi-se instalando no castelo.
Um dia, ela confessou-lhe que tambem tinha uma chave, mas nunca a colocava ao pescoço.
Nesta altura, levado pelo medo, o Criador confundiu-o, enganou-o, e levou-o a crer que amava a rapariga que ali estava a viver com ele, sem saber aonde ir.
Nessa altura, á porta do castelo surgiu uma princesa, decidida, dizendo-lhe que a chave que ele procurava tinha-a ela ao pescoço, e só ela, pois era ela quem o iria libertar. E ela carregava a chave, e todas as noites em que o feiticeiro partia em missão, ela sonhava com ele e em dar-lhe a chave, na liberdade que tinha de lhe dar.
E essa chave, ela tinha-a ao peito desde que tinha nascido, tinha-lhe sido dada pela mãe, e á mãe pela avó, desde a propria Eva.O feiticeiro, confuso, acolheu-a no seu castelo, porém, manteve a outra tambem no castelo.
A princesa lentamente foi revelando a verdadeira paixão que nutria pelo feiticeiro, e foi tomando o seu leito.
Triste, uma noite o Criador ordenou-lhe que enviasse a princesa para fora do castelo e tomasse a chave da outra rapariga como sua.
Ordenou-lhe que enviasse a princesa fora e exprimentasse a chave da rapariga, que não servia. Porém, o Criador apagar-lhe-ia a memoria e fa-lo-ia acreditar que tinha servido e que ele estava liberto, e deu-lhe uma noite para o fazer.
A princesa acordou, durante a noite, tinha ouvido cada palavra nos seus sonhos. Desesperada, esperou pelo dia. Fez o feiticeiro adormecer e assim que ele adormeceu, roubou-lhe a chave que ele trazia ao pescoço.
Abriu a porta de ferro com a chave do feiticeiro, debruçou-se sobre o baú, tirou a sua chave do pescoço e abriu-o.
E agarrou no coração do feiticeiro, e prontificou-se a lho devolver, enquanto este dormia. Este acordou de imediato e liberto, viu a realidade como ela era de facto. E logo viu a princesa, que o olhava com um sorriso, contente por lhe devolver a liberdade, com um vestido branco puro.
Da maldição das sete chaves apenas sobrou uma, pequena, que a princesa carregava ao pescoço, todos os dias. Todos os dias que viveu com o feiticeiro.
E o castelo tenebroso transformou-se numa pequena casa de madeira, no ondo campo verde. E a outra rapariga foi enviada á sua realidade sem qualquer memoria do que se passou.
E tiveram filhos, o feiticeiro e a princesa, doces gritos de alegria no meio das flores lilazes no campo verde. E a magia tornou-se eterna, e o Criador descansou...

Pensamento do dia

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A dimensão espacial da música é o tempo.